Dezembro 19, 2008...17:40

[momento lexotan] o dedo na ferida

Ir para os Comentários

Ontem, no telejornal. O dedo na ferida. Famílias que não levam os doentes quando eles têm alta. Famílias que os trazem ao hospital quando eles não precisam. Famílias que pressionam os médicos para os internar. Tudo isto no natal, a festa da família. Da família que se mexe e fala. Da família que não se queixa e geme. Os outros, os velhos, que passem o natal com os médicos e enfermeiros, famílias adoptivas.

5 Comentários

  • E o avozinho aos gritos na cama, por estar desorientado, enquanto o resto da família come o bacalhau na sala? E os bisnetos a perguntarem porque é que o avozinho tem um tubo no nariz e faz cóco na fralda, quando ainda o mês passado(antes de ter tido o AVC) passeava com eles no parque?
    E o que fazer quando o dia 26 chegar e todos tiverem de ir trabalhar, sem apelo nem agravo, porque a economia não pode parar?
    Sou enfermeira e sei do que fala, mas não acho que as coisas sejam tão lineares como nós profissionais de saúde às vezes dizemos e cobramos às famílias.
    Este é um problema grave que também nos irá bater à porta…

  • Também vi. Fiquei doente.
    Mas como é que é possível? E depois celebram um santo Natal com as suas santas consciências na santidade das suas vidas.

  • A Emília desculpe, mas sugere mesmo – juro que devo ter percebido mal – tirar o avô do cenário para não chocar os netos?!
    É esta a realidade horrenda do Natal nos Hospitais, o abandono e esquecimento. O despejo. Não é novo nem parece estar a melhorar.

  • Só agora me apercebi da magnitude do comentário da Emília. Será possível que esteja a sugerir que o avôzinho desapareça convenientemente para os netinhos não se engasgarem com o bacalhau?
    Não se esqueça que um dia vai ser a Emília no lugar de Avó e aí quero ver se mantém aquilo que disse.
    Não sei o que me chocou mais. Se este comentário, se a reportagem na televisão.

  • Não, não sugiro que se retire o avô para os netos não se engasgarem com o bacalhau. Estava apenas a ironiza e a sugerir que não pensemos nestes assuntos como se fosse fácil para as famílias receber um idoso em condições de total dependência e partamos desde logo do princípio que as pessoas abandonam os seus familiares.
    Não vi a reportagem, reflicto apenas na realidade que vivencio todos os dias. É fácil criticar.


Deixar uma Resposta