[momento lexotan] desesperos

Ontem vi o desepero nos olhos de um doente. Tinha estado cinco dias numa maca na urgência, ao lado de 60 outros doentes. Estava lúcido. Foi finalmente para a enfermaria, para um ambiente sossegado, contrastando com o caos da urgência.

Mas por engano, mandaram-no para uma cama que já estava ocupada. Tinha que voltar para o caos. Não se esquece a reacção do homem.

Deixem-me ficar aqui. Eu fico em qualquer cantinho.

Mas só há uma cama de mulheres, senhor João.

Eu não me importo. Eu juro que não me importo.

Não pode ser. Desculpe.

Então deixem-me ficar aqui só um bocadinho.

E ficou. Ali juntinho à árvore de Natal do serviço, sentado, inconsolável, a tentar que nos esquecessemos que tinha que voltar para o inferno da urgência.

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5 comentários

Filed under momento lexotan

5 responses to “[momento lexotan] desesperos

  1. Caramba! Que crueldade que é não ter umas urgências decentes num hospital! Ainda mais nesta quadra… Os directores desse hospital é que deviam passar por uma situação dessas, para ver se realmente se justifica viver assim, trabalhar assim e ser doente assim…
    Já não basta estar doente, irra!

  2. Sílvia

    É verdade, o ridículo é que até para se estar doente é preciso ter sorte. 5 dias? ninguém merece

  3. Sem comentários…
    Parabéns pelo texto comovente.

  4. rosemary

    Concordo totalmente com o que a Rita disse. Já não basta estar doente e ainda por cima na época natalícia. Entristece-me estas sitações…

  5. O pior é que esta situação não é a excepção…

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