[parâmetros vitais] it would be a very good year

Não são resoluções de ano novo. Nunca me agradaram essas resoluções. Mas não custa nada olhar para trás e ver o que não foi feito, e olhar para a frente e descobrir aquilo que se poderia fazer. São trezentos e sessenta e cinco dias que têm que ser preenchidos, e eu queria que o fossem com coisas boas.

Queria muito voltar a Nova Iorque, porque fomos lá muito felizes. E queria ir no Natal porque aquela coisa do Home Alone, da neve e do Rockefeller Center com a árvore de Natal e o ringue de patinagem está-me atravessada.

Queria muito fazer uma viagem de carro, nós os dois. Uma viagem grande. França, Itália, Route 66, qualquer uma serve. Nós, uma estrada e o horizonte. E um GPS.

Queria muito passa os fins de semana de inverno, os que pudermos, em Tomar, à lareira.

Queria muito voltar a correr, porque correr sem me sentir cansado é a melhor sensação do mundo. É o mais parecido com o superhomem que eu consigo alcançar.

Queria muito continuar a escrever neste blogue porque me faz bem, porque gosto realmente de o fazer. Porque gosto que todos venham cá.

Queria muito saber mais de medicina do que sei hoje. Queria ter a disponibilidade mental para estudar com prazer e que as coisas me entrassem realmente na cabeça. Porque eu sei resolver oitenta por cento das coisas que me aparecem, mas são os outros vinte por cento que me chateiam. E queria continuar a melhorar vidas porque não há melhor sensação para um médico.

Queria muito ouvir todos os álbuns que tenho pendentes na estante dos cd’s e no iPod. Com paciência e concentração. Ouvir ouvir e não ouvir com distrações. A música é tão grande, tão vasta.

Queria continuar a cozinhar para ti, coisas que tu gostas, coisas que ainda não provaste mas que eu sei que vais gostar. E cozinhar para os nossos amigos, tê-los cá a jantar ou a almoçar, ter a sala cheia dos nossos que são os bons, e a cozinha a cheirar a coisas boas. E aprender a fazer coisas novas, ou mesmo fazer um curso.

Queria muito poupar dinheiro. E sei que vou sabendo como se faz e estou bem melhor nisto. Porque é importante.

E queria muito pensar em trocar de carro porque estou farto de gastar rios de dinheiro com este.

Queria muito saber tirar fotografias como deve ser. Saber eternizar-nos em instantes e pendurá-los pela nossa casa.

Queria muito ser melhor daqui a um ano do que sou agora. Melhor pessoa, melhor amigo, melhor filho, melhor marido.

Queria muito ter-te sempre ao meu lado, como sempre fizémos, em tudo e em todo o lado. Porque é assim que gostamos de estar.

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8 comentários

Filed under parâmetros vitais

8 responses to “[parâmetros vitais] it would be a very good year

  1. Que post tão perfeito!
    (São palavras assim que me fazem ter esperança que o amor não venha com prazo de validade no pacote….:) Bom ano!

  2. Partilho quase todos os teus “Queria Muito”…
    Esperemos que para o ano já se tenham convertido em acções.
    Parabéns pelo texto!

  3. JC

    Lembras-me o melhor elogio possível, como no “as good as it gets”: “You make me want to be a better man.”

  4. Pareces uma boa pessoa.

  5. emilia

    Realmente você parece ser boa pessoa.
    No que diz respeito à medicina diga-me: não tem por vezes (demasiadas vezes) que o seu trabalho e investimento não se traduz numa melhoria da vida das pessoas? Refiro-me aqueles casos (que imagino que tenha muitos uma vez que é internista) de pessoas com patologias crónicas em estadios muito avançados, que são sucessivamente internadas com agudizações da sua doença, submetidas a procedimentos muito invásivos, por vezes mal medicadas para a dor, uma vez que a analgesia pode comprometer ainda mais o funcionamento do figado, rim etc, acamadas, com multiplas ulceras de pressão etc, etc…
    Eu sou enfermeira, passo os turnos a correr a distribuir medicação, fazer pensos, puncionar, algaliar, entubar, imobilizar fisicamente ao leito para que os doentes nos seus momentos de desorientação não arranquem tudo quanto é cateter e todos os dias me interrogo para quando pensarmos mais em paliar e menos em tentar a todo o custo curar sem, na minha opinião, obter melhoria da vida da pessoa.
    Atenção, não estou a defender a eutanasia.

  6. cb

    Post lindíssimo!
    Desejo-lhe um Ano com muitos sonhos realizados!

  7. Ora bem! É apenas mais uma série de doze meses.
    A análise do passado, até do presente é sempre uma boa ferramenta para mudar o futuro. E esta deve ser uma das wishlistes que mais me agrada: realista, sincera, humana, com sentimento.
    Parabéns!

  8. maria ana

    Perfeito.

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