[momento lexotan] até já

Os hospitais não sabem segurar os seus valores. Formam médicos, investem cinco anos na sua especialização e depois deixam-nos ir.

Vem isto a propósito de uma colega minha que se despediu hoje do hospital. Dez anos depois de ter entrado, milhares de horas de trabalho depois, de noites, de bancos, de consultas, foi embora. Para longe. Porque o nosso hospital não lhe fez nenhuma proposta para ficar. Porque a vida não se faz de incertezas.

E porque nestes anos, aprendi tanto com ela, porque fez pela minha formação aquilo que mais ninguém fez, porque me ensinou a ser mais médico, porque passámos centenas de horas a trabalhar lado a lado, porque nunca se negou a uma ajuda, a um conselho, só lhe posso agradecer e desejar felicidades.

Obrigado. Até já.

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4 comentários

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4 responses to “[momento lexotan] até já

  1. Infelizmente isso não se aplica só aos hospitais, aplica-se a um país inteiro, cheio de pessoas – de valor – não – reconhecidas.

  2. Infelizmente, concordo com a Ana C.
    E é sempre triste ver que houve alguém que não apoiou, alguém que não fez, alguém que não disse…
    Porque é que as chefias se tornam insensíveis, opressoras, implacáveis depois de se instalarem nas cadeiras do poder? Pergunto-me quanto tempo é necessário até que a pessoa seja institucionalizada, corrompida dessa forma?Porque não há cursos/livros de “Como ser um bom chefe”? Ou “Seja um chefe melhor!” Ou “Como avaliar as pessoas”? Ou “Como premiar os seus subalternos?” Ou “Aprenda a ouvir as pessoas.” Ou “Aprenda com as pessoas a ser uma pessoa melhor!”
    Será que isso não fazia o mundo ser melhor, mais justo, mais pacífico?
    Será que alguém assistiria/compraria esse curso/livro? Nos momentos de menos fé na Humanidade convenço-me que não. Nos momentos de mais fé na Humanidade, sinto-me uma pessoa melhor e sorrio!
    E claro que gastaria dinheiro num livro/curso se ao menos isso nos ajudasse a fazermos deste mundo, um mundo melhor.

  3. Ana

    Isto leva a que estejamos a criar mercenários… os internos testemunham os seus mestres a serem renegados para segundo plano, eles próprios veêm o seu esforço de 5 anos não ser valorizado ou compensado… agora ainda são os hospitais a dar um pontapé nos medicos, mas brevemente serão os médicos a dar um pontapé nos hospitais e procurar apenas o melhor contrato, saltitando daqui para ali onde lhe pagam mais… porque o ideal de medicina… esse rapidamente se vai desvanecer.

  4. inês

    Á falta de reconhecimento pelo esforço gigante de quem faz um internato de medicina interna e se vê obrigado a partir é apenas o princípio. Há 12 anos aconteceu-me a mim e agora, no “privado”, o sentimento é de frustração ainda maior. Talvez o problema venha de cima (da SPMI, do colégio da especialidade, dos que nos chefiam), talvez seja apenas de quem não está preparado para se desiludir tanto. O meu conselho é que desistam enquanto podem: daqui a alguns anos já não poderão sequer aguentar a ideia de bancos interminaveis onde nos exigem tudo e ainda nos maltratam. Triste, não é? mas do fundo do coração…

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