[história clínica] depois da tempestade, as ondas

Ontem.

Um banco de 24 horas. Esta semana vou passar mais tempo no hospital do que gostaria. Vinte e quatro horas com adrenalina quanto baste. Quatro reanimações com a primeira a exigir muito de nós. Entubação, massagem cardíaca, desfibrilhação, mais massagem cardíaca, olhos pregados no monitor, dedos na carótida, acalmia. Em sucessão. A sensação de ter recuperado uma vida. O passar o dia de volta dele e dos outros, mas mais dele porque não queríamos deitar tudo por terra. Deixámo-lo vivo, entregue aos que entram.

Hoje.

De volta à enfermaria. A ver a chuva e as ondas, entre alguns dedos de conversa com os nossos doentes.

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2 comentários

Filed under história clínica

2 responses to “[história clínica] depois da tempestade, as ondas

  1. Parabéns pela forma como expões o lado técnico e emocional da tua profissão.
    Da minha parte obrigada por saber que há profissionais assim.
    E a mim recordou-me que o cinzento dos meus dias e o mar revolto na minha cabeça pode acabar num pôr-do-sol luminoso sobre um mar chão quando leio posts como este.

  2. Certamente um bom local de trabalho com uma magnifica vista. E salvar as pessoas que por aí passam deve ser a elicidade máxima.

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