[história clínica] na saúde e na doença

Sabemos que vemos o verdadeiro amor, aquele amor de bodas de prata a caminho do ouro, o amor dos bons e maus momentos, da saúde e da doença. Sabemos que o vemos quando o velhote a quem dizemos que a mulher irá ficar internada, quando esse velhote não se contém e rebenta num pranto incontrolável com os óculos embaciados e o lenço nas mãos. E dizemos que vai correr tudo bem e ele acena que sim a fungar como uma criança triste.

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[terapêutica] notas de alta e de música

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Nestas tardes, em que vou ficando pela enfermaria, o melhor acto terapêutico é juntar os relatórios e notas de alta que tenho que fazer ao som debitado pelo iPod. Neste momento, Anthony & the Johnsons e um avc coabitam em perfeita simbiose.

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[raio x] papelinhos amarelos

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A saga dos papelinhos amarelos continua. Aqui.

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[história clínica] as quatro vidas

São 3 da manhã e não há silêncio neste serviço de urgência. Continuamos por aqui a tentar resolver problemas, a tentar deixar tudo pronto para amanhã. Daqui a poucas horas vamos embora, para o banho, para o pequeno almoço, para casa.

Internei hoje uma senhora que vivia sozinha. Sem filhos, sem marido, apenas com uma vizinha por perto. Uma vizinha que desconfiou quando ela não atendeu o telefone uma vez. Duas vezes. As vezes suficientes para se perceber que alguma coisa se passava. Estava há dois dias caída no chão, sem reacção. Dois dias sem comer, sem beber.

Estava desidratada como poucas vezes vi uma desidratação. A frequência cardíaca demasiada baixa, as tensões impossíveis de medir. Vieram as análises e os valores estavam fora do que os livros dizem que pode ser compatível com a vida. Investimos em força. Era nova, era independente antes de tudo isto acontecer.

Sobreviveu à primeira paragem cardíaca. Sobreviveu à segunda e à terceira. Entubada, colocado catéter venoso central, fármacos em doses altas. Mas a instabilidade era constante. A quarta foi a última. Não podia mais, ela. Não podíamos mais, nós. O esforço físico e psicológico de quatro reanimações. Imenso.

Custa muito. Custa estar uma tarde inteira a tentar dar vida a uma doente e não ver nada. Ver uma doente cada vez mais doente, uma viva cada vez menos viva.

Ultimamente, os nossos bancos têm sido assim. Éramos uma equipa de urgência pacata. Mas ultimamente somos inundados pela gravidade dos doentes.

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[raio x] lar doce lar

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Hoje, tarde de estudo acompanhada de chá. E música. E conforto.

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[estetoscópio] 1001 canções que têm que ouvir antes que seja tarde (15)

15. Cat Power – The Greatest

Dedicated to my lovely wife. The Greatest.

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[medicina desportiva] porto de recreio

Depois de ver o Sporting – Porto, ninguém me tira da cabeça que o Porto perdeu propositadamente. E eu juro que nunca tinha visto uma equipa perder de propósito. Jogou com a segunda equipa e substiuiu-a por júniores. Dois penalties estúpidos, dos quais nem reclamaram. Até vieram de comboio até à capital, em jeito de turismo, depois de ameaçarem que nem vinham.

Moral da história. Borrifo-me para isso. A mim, soube-me bem esta vitória.

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