Tag Archives: banco

[momento lexotan] general inverno

Instala-se uma espécie de náusea na véspera de um banco onde sei, de antemão, que está o caos instalado. A mesma medicina de qualidade nula, a mesma correria sem sentido, os litros de soros e antibióticos com efeitos transitórios. As mesmas caras cansadas de quem sai. As mesmas caras tristes de quem entra. O inverno é um inimigo de rspeito. O general inverno. Já arrumou com o napoleão, já arrumou com o hitler e agora despacha a minha sanidade mental.

Anúncios

3 comentários

Filed under momento lexotan

[momento lexotan] i’m so tired

Ontem, mais 24 horas de banco. E mais um banco mau, mauzinho.

A tristeza de entrar no serviço de urgência às oito horas da manhã e ser rodeado por um cenário de inferno. Macas e mais macas. Doentes a respirar para cima de outros doentes. Senhoras ao lado de homens. Uma doente internada no chão porque as macas disponíveis tinham acabado. Demorámos uma eternidade a passar o banco. A passagem de banco é o momento em que a equipa que está a sair passa à equipa que entra todas as informações relativas aos doentes que se encontram internados.

Depois vem o pequeno-almoço. Um convívio curto entre as duas equipas. Também nesta altura a chefe de equipa divide os doentres internados por todos os elementos da equipa. Nove doentes a cada um. Nove é muito. É preciso falar com cada um deles, observá-los, fazer a folha de terapêutica para aquele dia, ver as análises e pedir os exames necessários. Nove vezes. Este processo é interrompido com pedidos de observação dos balcões, homens e mulheres, onde os médicos que fazem o atendimento inicial nos pedem a nossa opinião.

Acabei de ver os doentes da manhã a meio da tarde. E então começamos a internar os doentes que ficaram pendentes. Fazemos também as transferências para os serviços de doentes que já se encontram estáveis, isto se houver vagas. Tudo isto dura até ao jantar.

A partir deste momento, faz-se a diferença entre um banco bom e um banco mau. No banco bom, há internamentos pontuais, que se fazem com calma, com tempo para pensar. No banco mau, os internamentos acumulam-se até horas impróprias em que a cabeça tomba sobre os papéis, em que os bocejos são de minuto a minuto.

Ontem foi um banco mau. Ontem acabámos todos, desde internos a chefes, de avaliar doentes às 4 horas da manhã. Um doente em choque séptico deu-nos especial trabalho. Logo a seguir, um edema pulmonar agudo em que não conseguíamos baixar a tensão arterial de maneira nenhuma. Quando finalmente estendi as pernas, tocou imediatamente o telefone. Uma doente internada na pneumologia tinha caído ao tentar levantar-se e tinha a cara ferida. Subi três pisos para constatar que era mais aparato do que estragos.

Dormi duas horas e meia. Acordei com o despertador do telemóvel, desorientado. Demoro sempre a perceber onde estou, numa escuridão que não me parece a minha casa. Tempo ainda para uma reanimação, um velhote que tinha vomitado e engasgado, entrando em paragem respiratória. Resolveu-se.

Agora é a nossa vez de passar o banco à equipa que vem. É a nossa vez de parecer desgrenhados e pouco acordados, mesmo assim com um ar mais feliz do que os outros. Voltamos ao pequeno almoço e depois para a enfermaria. E esta é a parte que custa mais. Sentir que está a começar um novo dia, apesar de para nós já ser o segundo.

7 comentários

Filed under momento lexotan

[exame objectivo] you know you want it

cimg2200-pola

Mais 24 horas de banco. Muitos doentes, alguma confusão. O costume. Macas, gritos, seringas infusoras, apitos, máscaras de oxigénio numa parafernália que me faz sentir (quase) em casa.

2 comentários

Filed under exame objectivo

[raio x] retalhos da vida de uma urgência

cimg2185

Hoje estou de urgência. Até amanhã de manhã. Depois conto como foi.

Deixe um comentário

Filed under raio x

desadaptações

Ontem fui ao banco falar com a minha gestora de conta. Existe um desfazamento preocupante entre o que ela me diz e o que eu entendo.

Bla bla bla bla spread bla bla bla bla taxa nominal bla bla bla bla amortização bla bla bla bla (aceno com a cabeça para dar um ar entendido) bla bla bla bla euribor bla bla bla bla  prestação fixa bla bla bla bla indexação (mais um aceno com a cabeça para dar um ar entendido)… bla bla bla bla.

É escusado. É outra língua que não se me afigura perceptível. Às vezes, tenho medo que os meus doentes e os seus familiares também passem por isto quando falam comigo.

2 comentários

Filed under exame objectivo